segunda-feira, 12 de abril de 2010

A música parou. E por um segundo, o tempo que eles levaram para se distanciar, ele teve a impressão de ter ouvido o coração dela bater. Estava acelerado, tanto que em um segundo ele ouviu milhares de batidas repetitivas, similares, marcantes.
Quando ele já estava a alguns passos dela, começou a culpar-se ferozmente por não ter aproveitado aqueles três minutos e pouco de música para convidá-la para uma próxima dança ou para falar lhe de suas inúmeras e sinceras intenções.
A música parou e para ela aqueles três minutos e pouco de música, tinham se multiplicado em uma eternidade que se partiu com aquele silêncio devorador.
Ao primeiro passo que suas estáticas pernas deram, lhe veio à mente que tudo podia ser diferente. Por que não ela podia sussurrar ao seu ouvido suas verdadeiras intenções¿ Falar para ele que tudo podia ser diferente quando aquela música acabasse.
Os instantes seguintes se passaram, a distância aumentou. Ela Fo arrastada por um turbilhão de amigas e de perguntas. Vieram os sorrisinhos inocentes e os olhares maquiados, mas a euforia dos que lhe rodeavam não lhe contagiou, porque algo não aconteceu, o momento não foi completo.


Textos como esse, surgem em meio as aulas e em parceria com as pessoas que divido a mesma rotina.

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